• Sandra Sisla

Parto normal, Cesária e humanização

Didaticamente as vias de nascimento de um bebê pode ser via vaginal ou via abdominal cirúrgica a cesariana.

A Cesariana, geralmente deve ser indicada pelo médico em situações com indicação absoluta, onde mãe ou bebê correm risco de vida, por razões relativas, em situações com algum risco materno infantil e discutíveis quando o médico acredita, embora não haja evidências de que a mulher ou bebê correm risco, DINIZ, S e DUARTE, AC, “Parto normal ou cesárea”. No Brasil vivemos uma epidemia de cesarianas com números bem acima do recomendado pela OMS, que mesmo com programas de governo como a rede cegonha, ainda atingimos patamares vergonhosos de cesarianas marcadas com indicações discutíveis. A OMS recomenta um índice de cesariana em torno de 10 a 30% enquanto no Brasil este índice alcança uma média de 56% entre o sistema público e privado.


O impacto de uma cesariana marcada sem uma indicação plausível causa na vida de muitas mulheres um sentimento de indignação e frustração, como se seu parto fisiológico tivesse sido “roubado”. Devemos ressaltar que, quando bem indicada, a cesariana é um procedimento essencial para a saúde materna e infantil, entretanto quando realizada sem justificativa pode agregar riscos desnecessários como trombose profunda, histerectomia entre outras complicações respiratórias para o neonato, CONITEC, diretrizes de atenção a gestante: a operação cesariana”.


A cesariana é uma cirurgia de médio a grande porte, consiste em uma incisão transversal, na região supra pubiana de aproximadamente 12 centímetros onde são seccionadas 7 camadas de tecido entre pele, tecido muscular e peritônio até chegar ao útero para chegar ao bebê. A cesariana é sempre feita com analgesia e a recuperação é acompanhada das limitações do pós cirúrgico.


O Parto via vaginal concorre a muitos modelos de assistência em se tratando das intervenções e modos de condução. Toda mulher é capaz de parir, seu corpo é perfeito e projetado para isso no entanto boa parte das práticas não tem comprovação cientifica e estão sendo questionadas e redimensionadas pelas políticas públicas e por grupos isolados de profissionais que atuam no cenário do parto. As intervenções de rotina sem sustentação da literatura promovem uma cascata de outras intervenções com uma sucessão de procedimentos invasivos, dolorosos e potencialmente arriscados como toques vaginais repetidos, imobilização na cama, instalação de soro com medicamentos para encurtar o trabalho de parto que causam dores, rutura da bolsa d’agua com 6 cm de dilatação, corte na vagina (episiotomia), manobra de kristeller (peso sobre a barriga), entre outros (DINIZ, S e DUARTE, AC). Consideramos estas abordagens de assistência ao parto vaginal como uma experiência da mulher associada a dor e desconforto, deixando sequelas físicas e emocionais.


As recomendações da OMS são baseadas nas evidências cientificas e pautadas nas premissas da humanização do parto. Segundo o manual do ministério da saúde, “Humanização do parto – Humanização no pré-natal e nascimento”, humanizar significa a mulher estar amparada com dignidade e respeito no acompanhamento do parto durante todo o processo por uma equipe de profissionais da assistência ao parto, ser atendida com medidas e procedimentos comprovadamente benéficos evitando práticas intervencionistas desnecessárias que não beneficiam a mulher. As escolhas da mulher precisam também ser levadas em consideração visto que é um processo fisiológico onde ela será a protagonista deste evento, sendo importante ressaltar que a mulher esteja informada adequadamente sobre as possíveis intervenções e modos de condução e nascimento, devidamente atualizada pela OMS, como direito humano e reprodutivo, sendo parte das condutas de humanização.


A OMS recomenta um índice de cesariana em torno de 10 a 30%


2 visualizações

© 2018 Criado por Kalinka Araneda