• Sandra Sisla

Períneo depois do parto; Mitos e verdades

Atualizado: 6 de Set de 2018


A vagina da mulher e de qualquer fêmea mamífera foi feita para se alargar o suficiente para a passagem do bebê. Esse fato já acontece há milhares e milhares de anos, fato é que a nossa humanidade está aí para contar a história,


Mas, e o bebê grande, como fica a vagina depois? Precisa ou não do corte da episiotomia? E se lacerar? Pode ficar com escape de xixi depois do parto? Fica mais frouxa a vagina? E ponto do marido? Vou voltar a fazer sexo normalmente?


Os músculos do assoalho pélvico são muito interessantes, ao mesmo tempo que são potentes e fortes podem se distender 10 vezes mais que o normal. A mágica de tudo isso durante a gravidez, está nos hormônios que são espalhados pelo corpo para relaxar mais ainda os músculos, tendões, articulações, incluindo os músculos do assoalho pélvico. A cabeça do bebê abre mecanicamente a passagem do canal vaginal, é preciso que a mulher permita, consciente e inconscientemente, que este abraço aconteça.


Os bebês grandes por incrível que pareça, têm menos probabilidade de lacerações porque descem de vagar, abrindo lentamente o caminho, diferente dos bebês pequenos que chegam rápido, onde o índice de laceração é maior, não dá tempo da pele e mucosa se adaptar á distensão. As lacerações podem acontecer em 60% das mulheres, destas em geral é a pele e mucosa que se abre em uma trama nos tecidos da vagina, muito mais fácil de fechar e cicatrizar. É bom lembrar que cerca de 40% da mulheres não tem laceração.


A episiotomia ou corte vaginal com a finalidade de abrir o canal de parto, são intervenções que estão em desuso. As evidencias apontam que não há benefício nenhum para a mulher nem para o bebê, além dela correr risco de infecção e ter dor após o parto, nem mesmo para o fórceps a episiotomia é necessária.

E se lacerar?? As lacerações podem ter relação com a posição da mulher no expulsivo, com alterações da flora vaginal como a candidíase ou vaginites, com os puxos forçados e outras possibilidades que podem exigir maior abertura do canal. Se lacerar, os músculos podem se recompor naturalmente quando se atinge pele e mucosa, se sangrar muito, pode dar uns pontinhos. As grandes lacerações que atingem músculos são bem raras.


As Incontinências urinárias têm muito mais a ver com a gestação do que com as vias de parto. O aumento do peso intra-abdominal por 9 meses é que vai favorecer o aparecimento dos escapes. N maioria das vezes é transitório, passa depois que os hormônios do parto forem assimilados e os músculos do períneo forem fortalecidos.


O ponto de maior interesse, no entanto, é a volta da atividade sexual. Neste caso, posso dizer que cada mulher terá uma experiência de retorno de acordo com sua disponibilidade interna de compartilhar com o parceiro. Fisiologicamente, é bom esperar os 40 dias de resguardo para que os tecidos do útero tenham se restabelecido. A vagina é um tecido elástico e retorna direitinho para o lugar. Posso dizer que se a mulher fez preparação anterior do períneo, fica mais fácil o retorno para ''acordar'' os músculos do assoalho pélvico e retomar uma boa dinâmica.


E sobre ponto do marido, sutura pós episiotomia ligeiramente apertada para que a vagina esteja mais estreita com o objetivo único de proporcionar prazer ao homem, está em desuso e deveria ser abolida completamente. Não tem nenhuma vantagem a não ser causar dor, desconforto e sentimento de incompetência no que se refere a natureza da mulher, resquícios de um machismo em extinção.


Por Sandra Sisla

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