• Sandra Sisla

Sexualidade na Gestação

A gravidez em nossa cultura está atrelada as imagens judaico/cristã da pureza, da virgem e imaculada. O papel da mulher esteve atrelado a reprodução por séculos, em condições de repressão de seus desejos e proibição do prazer. “Vivemos há muitas décadas a negação do vínculo entre sexualidade e parto, entre parto e prazer, entre prazer erótico e maternidade” de acordo com ELIANE BIO em O corpo no trabalho de parto.


A mulher gestante vive a sua sexualidade nos tempos atuais com a ambiguidade que vive sua maternidade, nem sempre permitindo a manifestação de seu desejo consciente ou inconscientemente e por vezes libertando-se das amarras da repressão impregnada em sua memória corporal ancestral reconhecendo sua sexualidade e assumindo seus desejos e erotismo.


Algumas mulheres não conseguem relacionar-se sexualmente durante a gravidez, apesar de sentir desejo, devido ao universo em que estão inseridas não ser favorável, pois ainda há relações conjugais em que prevalece o caráter de dominação masculina destinando a mulher o papel de submissão e obediência.

Gestantes que sentem desejo sexual, podem não se sentir a vontade por conceber que em seu corpo gera-se um novo ser e este mesmo corpo deseja mantes relações sexuais, há uma ambivalência de sentimentos.


A mulher da contemporaneidade tem acesso a mais informações sobre a sexualidade e maiores possibilidades de vivenciá-la com satisfação, nas últimas décadas há uma melhora do relacionamento conjugal, com sentimentos de feminilidade aguçada e com maior prazer sexual, quando há liberdade de expressão da sexualidade e de práticas sexuais durante a gestação. Em contrapartida, também é possível observar o abandono do parceiro, violência não física e diminuição da atividade sexual.


A gestação afeta a intimidade do casal e a forma como cada mulher vivencia sua sexualidade dependerá de como ela se relaciona com seu corpo e as transformações da gestação, da concepção e construção psíquica e cultural da maternidade e feminilidade podendo a idealização do papel materno, dificultar a associação da maternidade com a feminilidade.




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